O cotidiano na Coreia do Norte é organizado sob controle do Estado, com doutrinação política e vigilância constante. Em cidades como Pyongyang, vivem grupos considerados mais privilegiados e associados a histórico de lealdade ao regime, com uma rotina rígida que inclui transmissão de propaganda estatal, reuniões políticas obrigatórias e supervisão contínua do trabalho em escritórios governamentais e fábricas.
Moradores desses centros também são obrigados a participar de sessões de autocrítica, nas quais precisam admitir erros em público e reconhecer suposto descumprimento de normas do partido. Esses encontros são descritos como momentos de exposição pública e de denúncia de outros integrantes do grupo.
Mesmo na capital, a população enfrenta escassez de alimento e instabilidade no fornecimento de energia elétrica. A liberdade individual aparece limitada, com controle sobre o que se diz, por onde se circula e o que se assiste ou lê, e a manifestação de opiniões consideradas inadequadas é apontada como passível de consequências graves.
No campo, as condições são apresentadas como mais severas. Agricultores trabalham longas jornadas em fazendas estatais, com ferramentas básicas, e o cenário é associado a desnutrição, falta de eletricidade e acesso precário a cuidados médicos.
Crianças frequentam a escola, mas o ensino é centrado em lealdade ideológica. A nova geração também é descrita como mobilizada para trabalho em fazendas estatais, enquanto muitas famílias buscam sobreviver por meio de mercados informais, com comércio feito em segredo.
A percepção sobre cristãos é associada ao nível de doutrinação recebido. Entre crianças, a ideia transmitida é a de que cristãos seriam estrangeiros perigosos e malignos, com narrativas escolares e da mídia estatal que retratam missionários americanos como responsáveis por crimes contra crianças, incluindo envenenamento e roubo de órgãos. Nesse contexto, a maior parte da população é descrita como crescendo sem contato com termos cristãos básicos, como “Jesus” e “Bíblia”.
Entre cidadãos considerados leais ao regime, a tendência descrita é de adesão à propaganda contra seguidores de Jesus. Outros permanecem indiferentes ou cautelosos, mas a denúncia de um seguidor de Jesus ao governo aparece como uma possibilidade, associada à expectativa de recompensa, como comida, favores ou avanço social.
Porém, de acordo com a Missão Portas Abertas, há o registro de que nem todos aceitam a propaganda estatal. Em regiões fronteiriças, a circulação de mídia contrabandeada e o contato com estrangeiros são citados como fatores que expõem informações diferentes das oficiais e permitem que alguns norte-coreanos se aproximem do cristianismo, mesmo sem acesso ao evangelho por meios tradicionais.