Um advogado da Igreja Zion de Pequim, Zhang Lei, denunciou que promotores na China estão obstruindo seus esforços para representar o pastor Wang Lin, que está detido. A situação se agrava em um dos casos mais observados de liberdade religiosa no país.
Contexto da situação
A Igreja Zion, uma comunidade cristã em Pequim, tem enfrentado crescente repressão por parte das autoridades chinesas. Recentemente, nove membros da igreja foram liberados sob fiança, enquanto outros nove líderes, incluindo o pastor Wang Lin, enfrentam acusações criminais. Este caso é emblemático das tensões entre o governo chinês e as comunidades religiosas, especialmente as que não estão registradas oficialmente.
O que aconteceu
Segundo Zhang Lei, ao tentar acessar os arquivos do caso para preparar a defesa de Wang, ele se deparou com uma série de obstáculos impostos pelo Procuradoria do Povo do Distrito de Yinhai em Beihai. Apesar de ter apresentado a documentação necessária para sua representação, o advogado teve seu pedido de acesso aos arquivos negado, o que é considerado essencial para a defesa.
Após a entrega dos documentos em 23 de junho, Zhang esperou mais de três dias úteis, conforme estipulado pela legislação chinesa, mas em vez de receber acesso, foi informado de novas exigências. Os promotores solicitaram uma declaração escrita de Wang para demitir seu advogado anterior, além de um documento formal de rescisão de representação do escritório de advocacia do ex-advogado.
Essas exigências adicionais levantaram suspeitas sobre a intenção dos promotores, com analistas jurídicos argumentando que poderiam ser uma estratégia para atrasar o processo judicial e privar a defesa de seus direitos legais.
Reações à obstrução da defesa
A esposa de Wang, Su Ziming, expressou sua indignação com as novas exigências, chamando-as de um requisito absurdo de “consentimento de três partes” para a troca de advogados. “Desde quando um contrato de representação precisa de uma autorização tão complicada?”, questionou ela publicamente.
“A explicação dos promotores para negar o acesso é absurda”, afirmou Zhang Lei.
— Zhang Lei, advogado de Wang Lin
O que esperar a seguir
O caso da Igreja Zion continua a ser um ponto focal na luta pela liberdade religiosa na China. Com a crescente pressão sobre os líderes da igreja, espera-se que as tensões aumentem. A comunidade cristã e defensores dos direitos humanos estão acompanhando de perto a situação, na esperança de que a justiça prevaleça.
As autoridades chinesas frequentemente enfrentam críticas internacionais por sua abordagem em relação à liberdade religiosa, e este caso pode intensificar o escrutínio global sobre suas práticas. A expectativa é que, em breve, novos desdobramentos ocorram, tanto no processo judicial quanto nas reações da comunidade internacional.